Twitter e a síndrome do Orkut

Quando explicava as pessoas sobre o Twitter, sempre ouvia afirmações do tipo “que coisa inútil”, “essas pessoas não têm o que fazer?”. Era um pequeno esforço para explicar que sim, o Twitter poderia ser usado para fins mais produtivos do que simplesmente dizer o que se está fazendo no momento. Até escrevi um artigo no ano passado defendendo usos produtivos do twitter. Entretanto, assim como aconteceu no orkut, as mesmas pessoas que estavam utilizando o twitter de modo produtivo e informativo estão agora utilizando o serviço de forma mais pessoal, de entretenimento, dizendo o que estão comendo, avisando que acordaram mau humorados, e coisas desse tipo, sem muita relevância aos contatos não muito próximos.

Não sou contra a utilização do serviço como entretenimento e convívio social, acho que para grupos de amigos próximos funciona muito bem, estou observando que está acontecendo exatamente o que aconteceu com o Orkut. Em seu início, permitia uma troca de conhecimento maior e, com o tempo, esse aspecto foi sufocado pelo entretenimento e joguinhos. O Facebook também. Noise.

O fato é que algumas baboseiras estão sujando as informações realmente relevantes do Twitter. Embora eu tenha a opção de simplesmente parar de assinar algumas pessoas, isso pode ser inviável a partir do momento que esse comportamento se torne global dentro do site. Além disso, dentro de tanto barulho, pode haver alguma informação interessante que eu esteja perdendo.

Precisamos já, todos, de alguma coisa que transforme todo esse barulho(noise) em informação relevante (signal).

Continuo no Twitter, mas minhas expectativas já são outras.

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10 Comments »

  1. Allan Said,

    April 17, 2008 @ 12:16

    Algo que sempre me incomodou no twitter é não estar claro se entro lá para trocar informações relevantes ou para me entreter.

    O serviço serve bem para as duas coisas, mas logo de cara você já tem que optar por qual caminho ir. No meu caso, acabei assinando somente bloqueiros, jornalistas, profissionais. Porém gostaria muito de assinar meus amigos de faculdade só pra falar besteira.

  2. Daniel Heise Said,

    April 17, 2008 @ 12:28

    Esse assunto ainda vai gerar muita discussão. O uso do Twitter surpreende a cada nova maluquice. Hoje li sobre o americano que foi salvo da prisão no Egito porque twittou para seus amigos.
    http://www.mercurynews.com//ci_8934411?IADID
    Por outro lado é bem insuportável ficar lendo a montanha de junk que os “famosos” ficam microvomitando. Não tem a menor relevância. Acho bem dificil equacionar a vontade de acompanhar alguém por que acredito que ele tem coisas interessantes a dizer e ao mesmo tempo lidar com seu conteúdo estomacal.

  3. Guilherme Serrano Said,

    April 17, 2008 @ 13:48

    Hoje mesmo escrevi sobre o assunto – mas de forma positiva.

    Se a “bobagem” se tornar global no Twitter é um problema, realmente. Mas sempre existem os que se salvam, e aí é só ir cortando as assinaturas…

    Assinar uma meia dúzia que continuará revelante pode ser a solução. A proposta inicial é ruim, não vejo utilidade nenhuma em responder o que estou fazendo, por isso relutei para usar a ferramenta. Hoje acho ela boa para conseguir conteúdo e me manter informado em tempo real…

  4. Darwin Barau Said,

    April 17, 2008 @ 15:47

    Desculpem a pergunta meio “boba”, mas o que é Twitter? E como funciona?
    Lendo a postagem pude perceber que é algo parecido com os grupos do Yahoo. Você participa de um e recebe vários e-mails sobre o assunto. Estou certo?

  5. Guilherme Serrano Said,

    April 17, 2008 @ 16:04

    Darwin, se o Renato permitir, aqui vai um jabá em que escrevi (e defendi) o uso do Twitter, que responde as tuas perguntas.

    http://www.andafter.org/publicacoes/twitter-o-que-e-como-usar-e-porque-usar_370.html

  6. sampson moreira Said,

    April 17, 2008 @ 21:21

    Olá Shirakashi,

    “O que você está fazendo?” – Esta é a pergunta feita no campo de postagem do Twitter, eu entendo que você pode escrever o que quiser, até mesmo dizer que está fazendo suas necessidades fisiológicas enquanto twitta.

    Eu utilizo muito pouco, e filtro muito o que leio por lá. Vejo muita gente reclamando do conteúdo que é postado e ao mesmo tempo postando: “Comprei meu SuperHiper Computador Tabajara”. Bobagem, né? Mas eu acho que twitter é isso mesmo.

    O twitter é a prática do voyerismo escrito. Sim, é igual ao orkut. =D

    O resto é como canal de TV, você não assiste o que não te agrada e pronto.

    Grande abraço!

  7. Sérgio F. Lima Said,

    April 19, 2008 @ 09:02

    Opa Renato!

    Eu parto do seguinte pressuposto: As coisas eventualmente boas do twitter podem ser feitas com outras ferramentas (gmail, por exemplo)… ao menos pra mim, não vale a pena levar junto com o serviço todos os inconvenientes! É questão de custo benefício.

    A menos que você esteja participando de um leilão o tempo entre algo relevante aparecer no twitter e nos blogues é desprezível!

    E esta “nóia” de ser o primeiro a saber só faz sentido para um nicho de jornalistas… pois você poder ser o milésimo a tratar de uma novidade, mas fazê-lo com muito mais relevância que o primeiro que falou!

    Enfim, twitter como qualquer outra coisa terão os adoradores e os que simplesmente o ignoram (e vão muito bem obrigado!)… eu estou neste segundo grupo :-)

    []‘s

  8. Marcião Said,

    May 9, 2008 @ 19:18

    Um outro tópico que o Shira levantou aqui é extremamente relevante: volume de informação. Hoje com tantos modos de obter informação como rss, google news, digg e twitter fica muito difícil p/ um usuário comum absorver somente o necessário p/ se manter atualizado.
    Não seria hoje o momento de se criar novas formas de se filtrar a informação ? Não é relevante criar um serviço que consegue determinar que uma matéria A e B tem um mesmo tópico C ?
    Eu ficaria muito feliz de ler uma só vez uma matéria sobre a nova invenção do google, e depois pesquisar em outros fontes (se achar interessante) do que ver essa mesma notícia replicada eternamente nos meu feeds .
    Esse mesmo serviço poderia ranquear a informação
    não mais pelo número de acessos (modo google) ou
    votos das pessoas ( modo digg), mas pela quantidade de informação com o mesmo tópico produzida .

  9. Jacqueline Lafloufa Said,

    June 11, 2008 @ 00:23

    Ruído ou sinal, ainda seguimos as pessoas na esperança de algo ser relevante.
    É a nossa árdua função de filtrar o conteúdo de acordo com uma relevância pessoal.
    Agora, será que tem mesmo como fazer um algoritmo que possa selecionar o que gostaríamos de ler com fidelidade?
    [ leve impressão de que eu estive no início dessa discussão :) ]

  10. Produzir e distribuir conteúdo: uma opção que expande conceitos « Pensamenteando Said,

    July 15, 2008 @ 23:14

    [...] existe uma segunda opção. Existe a possibilidade de filtrar o que queremos verdadeiramente absorver, e então destilar e compor um conhecimento condensado. Esse sumo do conhecimento pode ser [...]

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