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Por que remunerar a colaboração tem sido um fracasso

Assim que apareceram os primeiros sinais de que os serviços colaborativos teriam grande impacto sobre o modo com que se via e vivia a Internet, muita gente imaginou que poderia ir um pouco além: remunerar usuários para que eles estivesem mais dispostos a colaborar em alguns ambientes ao invés de fazê-lo em outros.

Na Wikipedia, por exemplo, as pessoas não ganham nada para postar e gerar conteúdo. Então, se eu criasse um serviço que pagasse o usuário por isso, ele preferiria contribuir em meu ambiente em detrimento de fazer isso na Wikipedia.  Faria sentido, parecia óbvio, mas foi um fracasso.

A principal razão aí é que não foi considerada a única grande variável que importa nessa questão: o comportamento humano.  Quando falamos de colaboração espontânea na web, estamos em uma esfera compotamental totalmente diferente de quando estamos sendo remunerados. Em geral, aceitamos perfeitamente realizar alguma tarefas gratuitamente simplesmente por um prazer social, como ajudar um vizinho em apuros, um desconhecido na rua. Isso nos torna “superiores” e de alguma maneira, torna a sociedade em débito conosco. Mas quando somos remunerados por isso, acionamos algum mecanismo que não nos permite fazer a mesma coisa sem que passemos por um filtro de avaliação de “trabalho vs remuneração”. O prazer, o senso de superioridade e débito desaparecem completamente e então entramos em um campo onde a remuneração de inexistente, passa a precisar ser alta o suficiente para que justifique nosso trabalho.

Em outras palavras, ou se paga muito, ou não se paga nada. E, de fato, a maioria dos serviços que tratam com remuneração da colaboração estão passando, de promessa inquestionável, ao fracasso inevitável.

Essa e outras idéias de como alguns mecanismos humanos funcionam, bem ilustrados, com diversos exemplos e experimentos, estão no livro de Dan Ariely: Previsivelmente Irracionail


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Como escolher nomes na Era das mídias sociais

Em um mundo cada vez mais fragmentado e interconectado, conseguir saber quando, quem e onde estão falando de você, da sua marca ou mesmo de seus concorrentes pode ser uma vantagem estratégica enorme. A grande vantagem dos sistemas atuais é a possibilidade de encontrar essas informações através de buscas. Entretanto, tal vantagem só pode ser considerada se você de fato consegue encontrar as informações.  A questão é que, se você escolher um nome muito comum para seu produto, campanha ou empresa, uma palavra que possa ser usada em muitos outros conceitos e situações do dia-a-dia, você terá muita dificuldade em encontrar as informações que realmente procura.

Por isso é tão importante escolher nomes que possam ser “tagueados” de forma única em campanhas, produtos e nomes em geral. Você nunca sabe quando precisará encontrá-los nas mídias sociais. E um dia você certamente irá.

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Case Blogblogs: a web colaborativa é perigosa

A liberdade e colaboração na web é como um megafone. Para ações bem realizadas, a colaboração funciona como um propulsor para levar sua mensagem ao número máximo de pessoas. O problema é quando as ações não saem exatamente como esperado e não são bem aceitas pelos usuários. Aí fica extremamente perigoso, pois o poder de destruição da web também é muito grande.

O caso BlogBlogs está ocorrendo exatamente nesse momento (10 Dez 2008, 11:30). Como estratégia de divulgação do novo site, foi colocada uma tela de manutenção que simulava o site hackeado, um aviso de que aquilo era brincadeira e um link que levava a um live stream do escritório da empresa.

O problema é que muita gente não gostou. Não vou entrar no mérito de julgar a ação, mas o fato é que muita gente não gostou nem um pouco. E aí começaram uma série de comentários no twitter e no livechat destruindo a credibilidade do Blogblogs. O negócio ficou feio. No chat, muitos xingamentos, brigas. No twitter, muitos criticando a ação e alguns até prometendo retirar os widgets dos seus blogs.

Diante disso, temos que repensar alguns fatos, antes de lidar com estratégias arriscadas na web 2.0:

1. Existem evangelizadores assim como existem “destruidores” (trolls). Reclamar não adianta, você deve lidar com o fato. Procurar fazer algo que incentive os evangelizadores e acalme os “destruidores”.

2. Ações não funcionam para todos os grupos de pessoas(usuários). A ação do BlogBlogs não foi bem entendida por todos que visitaram o site. Claro, pois quem mais acessa o site são leitores e não blogueiros. E o leitor em geral não entendeu. Então você atingiu a todos os usuários (eventualmente retirando credibilidade do serviço) e esperando atingir pequena parte deles.

3. Destruir é mais fácil que construir. Uma ação que tem um risco igual de ser destrutiva e construtiva, deve cair no lado destrutivo.

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Porque a colaboração está virando uma bolha

Momentos de extrema euforia em torno de algum assunto ou tendência criam bolhas, ou seja, o otimismo se torna tamanho que o investimentos nessas iniciativas se torna irracional. Infelizmente isso está acontecendo em relação a colaboração na web2.0.

Todo mundo está acreditando na colaboração, de modo sistemático e cego, como se fosse algum tipo de mágica que, a partir do nada, coisas maravilhosas acontecem. Não é bem assim. Colaboração acontece em momentos e ambientes bem propícios e específicos. Não é uma das maiores facilidades, mas uma das maiores dificuldades da web 2.0.

Algums mitos da colaboração:
- colaboração dá lucro naturalmente.
- colaboração acontece naturalmente e cresce exponencialmente em sistemas desenvolvidos para isso.
- funcionalidades colaborativas = colaboração
- todas as pessoas vão colaborar, se puderem

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Liberdade na Internet Brasileira

Alguns estão gritando por , mas a blogosfera ainda não tem se mobilizado a respeito disso, que é algo que pode mudar a Internet no Brasil: o projeto de lei do Senador Eduardo Azeredo. A petição online contra o projeto alerta que ele pode proibir inclusive redes P2P, bloquear o avanço de redes Wi-Fi e exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso.

A petição online pelo VETO do projeto está disponível em: http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html

Quem vive a Internet todos os dias, o que claramente não são os engravatados de cabelos brancos de Brasília, deve claramente entender que, embora a intenção seja legítima, os pontos abordados significam controle da Internet, algo de quem ainda não entendeu esse novo mundo. Já assinei.

Postem também. A favor ou contra, mas postem.

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Há algo de errado com a blogosfera brasileira

Há algo de errado com a blogosfera brasileira. A recente notoriedade que a blogosfera vem recebendo tem gerado algumas consequências interessantes. Vou citar rapidamente 4 delas:

A primeira é nítida queda da qualidade dos textos. Além disso, muitos bons blogueiros pararam de escrever. Os textos mais interessantes têm sido escritos por blogueiros “não famosos”.

A segunda é o bombardeamento de “posts pagos” e publicidade, muitos com resumos de eventos ou coisas parecidas, algumas vezes sem ligação nenhuma com o público do blog. [UPDATE] Recentemente, essa campanha veiculada no Brainstorm #9, dá sinais de que estamos chegando e passando do limite aceitável entre conteúdo e publicidade.

A terceira é o estreitamento do relacionamento entre os blogueiros, gerado pelos eventos presenciais e twitter, e que acabam convivendo com as mesmas informações e tendem a ter um mesmo ponto de vista. Enfim, acabam agindo em grupo.

A quarta é uma síndrome da grande mídia que começa a aparecer de modo geral. Agindo em grupo, parte da blogosfera acredita que pode determinar alguns caminhos que serão seguidos por outros milhares de usuários.

Luz amarela!

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Influência dos blogs ainda não é tão grande

Em pesquisa divulgada pela Edelman, o Edelman Trust Barometer, com pessoas de 35-64 anos, em 18 países mostra mais uma vez que a influência de opinião sobre uma empresa/produto se dá muito mais por pessoas próximas e não tanto por pessoas influentes. Por esse motivo, os blogs aparecem com pouca influência na lista.

Talvez, se a pesquisa focasse em um público mais jovem, o resultado seria diferente.

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Twitter nunca será um facebook, myspace, google …

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Muito se fala, em determinados nichos, do Twitter como a nova sensação do momento. Realmente, o twitter é fantástico, principalmente por fazer tudo o que faz em uma única tela, com posts de 140 caracteres. É um tiro certeiro, com ótima implementação. Pena que nunca será um Facebook, Myspace, etc…

É simples: ele não é tao abrangente como uma comunidade virtual generalista. Não estou falando da competência dos fundadores de fazer algo abrangente, mas sim que o conceito da ferramenta não permite.

O twitter é bom para pequenos grupos de amigos jovens que sempre mantém contato e profissionais de comunicação. Para outros tipos de relações, as comunidades virtuais generalistas são melhores. Não faz sentido manter um grau tão grande de conexão, atenção e interação com amigos que não sejam próximos, o que restringe bastante a abrangência da ferramenta.

Então, não dá para falar que ele baterá as atuais comunidades virtuais. Nem hoje, nem nunca.

PS.: Nem o friendfeed.

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Internet não combina com Publicidade

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Recentemente, em um aquecimento para o Proxxima 2008, houve uma discussão sobre modelos de mídia (como canal de publicidade) que os blogs poderiam adotar. Acho que a publicidade online pode dar uns trocados, mas que não será, nos moldes atuais, interruptiva, o futuro do marketing online.

Cada vez mais pessoas usam internet, por muito mais tempo do que ouvem rádio ou assistem TV. Mas mesmo assim, a fatia de investimento em publicidade na internet é muito baixa, menor que a de rádio, quase 5%. Isso é um contrasenso, mas pode ser explicado muito facilmente: basta olhar seu filhinho de 13 anos acessar a internet. Ele não clica em anúncios, nem você. Os usuários de internet foram criados sob um modelo livre, de escolha, e repulsa a publicidade online. A interrupção da publicidade que funciona muito bem em outras mídias, não funciona na internet. Por isso os links patrocinados fazem sucesso, pois entenderam que o momento em que o usuário está propenso a ser atingido por publicidade é quando está buscando algo. Só. Por enquanto.

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A inteligência coletiva é conservadora

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Em tempos de Web2.0 muito se fala de inteligência coletiva e sabedoria da mutidões. Realmente, uma construção sem precedentes de conhecimento vem sendo produzida e compatilhada, com uma qualidade indiscutível. Basta citar o maior caso da atualidade: a Wikipedia.

Entretanto, a inteligência coletiva não é capaz de inovar. As sementes da inovação, a criatividade, a loucura, o aleatório, o nonsense, não estão fortemente presentes na inteligência coletiva. A sabedoria das multidões é muito boa em otimizar sistemas, desenvolver sistemas racionais, documentar e aproveitar ao máximo o senso comum, prover e desenlvolver idéias tidas como corretas. Mas idéias malucas fora do senso comum são descartadas pelo coletivo pois, a princípio, não são corretas.

Como seria um quadro desenhado e revisado por diversos pintores do mundo inteiro ? Talvez fosse tecnicamente perfeito. Mas estaria a altura de um picasso ? Hoje, o grande adversário da inteligência coletiva são a criatividade e inovação, que contam com uma grande arma mágica: o inesperado.

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